O VERA nasceu em 2024, esboçado em planilhas e rascunhos de papel e Word. Após o projeto ser contemplado em um edital no início de 2025, finalmente pudemos dar forma às nossas ideias. Frequentávamos diversos festivais e conhecíamos curtas incríveis, mas que acabavam com uma carreira curta diante das escassas oportunidades de distribuição para o setor. O VERA foi desenvolvido, então, com a intenção de representar uma opção nova de circulação e difusão de curtas-metragens, capaz de dinamizar o impacto e ampliar o público das obras disponibilizadas.
Em um contexto onde a própria palavra streaming já remete a uma tendência de precarização da indústria - que, de fato, vem sendo promovida pelos agentes estrangeiros que ocuparam o mercado na última década -, a criação do VERA passou por uma série de reflexões, como: “O que poderíamos fazer de diferente?” “Quais as vantagens de exibir uma obra pelo streaming?”
Passamos, então, a enxergar o público que o streaming melhor atinge: aqueles que não conseguem frequentar o cinema - tanto pela falta de tempo decorrida das escalas abusivas e longas comutas, quanto pelos preços inacessíveis. Soma-se a isso a dificuldade de encontrar filmes nacionais em cartaz, fora dos centros das metrópoles. Os festivais, que costumam ser espaços dedicados à exibição de obras independentes, ainda se mantém nichados de certa forma, apesar dos esforços dos produtores e das medidas de acessibilidade cada vez mais consolidadas.
É aí que o VERA entra: com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc, desenvolvemos uma plataforma totalmente gratuita, com catálogo 100% nacional, acessível também por meio do celular. Temos o objetivo de ser uma alternativa não apenas de exibição para produtores e distribuidores, mas também de acesso para o público que deseja manter contato com o nosso cinema. Diante das incertezas de financiamento, inerentes a qualquer projeto cultural independente, mantemos o projeto em pé pelo compromisso de difundir histórias que precisam ser vistas, amplificando as vozes dos realizadores que, continuamente, experimentam e tensionam os limites do cinema.
